Angola: Agricultura

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A insistência com que se refere à necessidade de os Estados direccionarem mais os seus investimentos para a vertente humana deve, de uma vez por todas, captar a atenção dos dirigentes africanos, sob pena de os países do continente continuarem a falar em potencialidades agrícolas, enquanto gastam por ano milhares de milhões de dólares na importaçao de produtos alimentares.

Em Addis Abeba (Etiópia), Bill Gates, fundador da Microsoft, disse em Fevereiro deste ano, que os líderes africanos devem apostar forte no talento humano, para que a Agenda “África 2063” possa atingir os seus objectivos.
Convidado especial da cerimónia de abertura da 32ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), Gates referiu que será esse talento humano que vai projectar, implementar e gerir todas as infra-estruturas para suportar o desenvolvimento do continente.
Há mais de 25 anos que, através da sua fundação Bill&Melinda Gates, Bill Gates apoia projectos sociais em África, nos sectores da Educação e Saúde, por entender que pessoas saudáveis e com boa educação geram desenvolvimento.
Através da sua fundação, já investiu no continente mais de 15 mil milhões de dólares, em programas de educação, projectos sobre agricultura, programas de combate à pobreza e a doenças, como a malária. “Isso tudo por acreditar que África pode atingir os nossos objectivos, desde que se invista inteligentemente no capital humano”. A sua fundação está disposta a continuar a apoiar projectos que ajudem a desenvolver o continente, frisou.

Potencial

Mais incisiva foi a angolana Josefa Sacko, comissária da União Africana para Economia Rural e Agricultura, ao defender uma quotização obrigatória e regular dos Estados-membros da União Africana como fundamental para o continente apropriar-se dos seus projectos.
A comissária afirmou que África não pode contar com os parceiros externos para virem financiar o modelo de desenvolvimento desenhado pelos próprios africanos e o que tem acontecido nas últimas décadas é que quem financia quer impor a sua agenda. Josefa Sacko acrescentou: “Temos potencial. África tem cerca de 40% de terra arável no planeta. Portanto, achamos que devemos passar à fase de importação de alimentos, para produzirmos nós próprios”.
Ela referiu que África deve-se apropriar da “Agenda 2063”, pelo que os Estados-membros têm de fazer uma quotização regular para financiar os programas do continente, pois há financiadores e alguns parceiros externos que não querem implementar a agenda africana.
“Isso não é normal e, no final das contas, não conseguimos atingir as metas a que nos propomos até 2063. É muito importante a questão do financiamento e o continente africano tem de assumir as suas responsabilidades para financiar os seus projectos e não dependermos de parcerias”.

A revisão dos números

Não basta dizer que África tem mais de 900 milhões de habitantes, que 60 por cento da população é rural, que tem 65 por cento das terras aráveis não cultivadas do planeta, que 10 por cento dos recursos renováveis de água doce encontarm-se no continente ou que a economia local vai crescer 4 por cento este anos e 4,1 em 2020 ou que a percentagem da população com menos de 25 anos seja de 71 por cento.
É importante mencionar que a população africana chegará aos 10 mil milhões até 2025, que possui 60 por cento dos seropositivos de todo o mundo, que, embora possua o maior deserto da terra, o Sahara, com uma superfície total de 9.400.000 quilómetros quadrados, além do Namibe, com 30.77 quilómetros quadrados, enfrenta uma taxa de desmatamento de 4,1 milhões de hectares de floresta por ano.
O Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) estima que 224 milhões de africanos passam fome e cerca de milhão e meio de crianças correm o risco de morrer por desnutrição.
Ao insistirem na vertente humana, as muitas vozes que se levantam referem, nomeadamente, a pesquisa agrícola, pois só dessa forma os países africanos podem caminhar rumo ao desenvolvimento.
A formação de quadros e a pesquisa agrícola devem andar juntas com a agricultura sustentável, sem a qual anteve-êm-se graves problemas na se-
gurança alimentar e malnutrição, ao mesmo tempo que se vêem aumentar os investimentos externos, sem que se atenda às especificidades e às necessidades locais.

Fonte: Jornal de Angola

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